A cominicação social e o ténis
2009-04-07
E passo a explicar:
1) O ténis, no seu todo, tem um amplo espaço na comunicação social em Portugal como nunca sucedeu no passado
2) Os jornais de referência, Diário de Notícias e Público, têm colaboradores especializados na matéria, sendo profissionais com mais de 20 anos de ampla experiência
3) Os jornais semanários, sempre que se justifica, como é o caso do Expresso e do Sol, também inserem reportagens. Sucedeu recentemente com Frederico Gil, como outrora se verificou com Michelle Brito e Gastão Elias
4) Isto para já não falar nos 3 jornais desportivos, todos eles com pessoas que assinam regularmente artigos sobre a modalidade e à qual estão envolvidos há muitos, muitos anos.
5) Poderemos falar também nas várias estações de televisão. Seja a RTP1 e 2 ou no Eurosport e SportTV. Todas as estações de televisão transmitem horas e horas de ténis, preocupando-se os seus especialistas (e são vários e rotativos) em dar informações de ténis nacional em notas de rodapé, levando até aos seus estúdios técnicos conceituados, com cultura da modalidade. É o encaixe perfeito
6) Também poderemos falar de que existe um Jornal de Ténis com mais de 30 anos, que apesar de todas as convulsões é publicado 2 vezes ao mês. Qual é a outra modalidade que nos dias de hoje se equivale neste aspecto e que tem meios técnicos, humanos e financeiros para manter um projecto com 8 páginas?
7) É preciso salientar que a um outro nível, o ténis nacional tem sido bem acolhido na Proténis, revista que abrange todos os escalões etários e que insere a componente técnica, material e opinativa
8) Por outro lado, todos os principais torneios organizados em Portugal nos seus vários escalões têm recorrido aos serviços de gabinetes de imprensa especializados para a difusão das competições e o resultado é francamente animador, acima de tudo quando os portugueses vão longe
9) É importante não esquecer que o ténis tem um programa regular numa estação de radio, desde há muitos anos
10) E convém não subestimar o importante papel que os vários sites especializados conferiram à modalidade nos últimos 2/3 anos com informação de qualidade, rápida e com substância. Existe uma dinâmica sem precedentes. É indesmentível!
REALIDADE
A realidade, meus amigos, é esta que acabo de descrever de forma muito sucinta. Bem sei que algumas pessoas querem mais e mais informação, sobretudo dos torneios juvenis, querem resultados completos dos torneios que organizam, querem isto e aquilo.
Poderia estar de acordo se não fosse jornalista há mais de 30 anos e desconhecesse como se faz um jornal diário ou desportivo.
Tudo na vida se rege por objectivos e por números. E cada assunto merece o espaço que tem. Um jornal não é só de ténis. Há outras modalidades que apresentam melhores resultados, outra dinâmica, têm outra profundidade. E há que aceitar as coisas tais como elas são.
Quando Frederico Gil fez aquilo que fez, quando Michelle Brito quebrou uma série de barreiras, estes dois jogadores foram notícia em todo o lado e até em revistas cor-de-rosa com honras de transmissão em directo na SportTV. Já viram a força que o ténis tem?
Por isso não digam ou não insistam na teoria que o ténis tem pouco espaço na comunicação social em Portugal e que é só o Estoril Open.
Mesmo se falarmos em ténis português o espaço é meritório e em pouco tempo qualquer adepto consegue ter hoje em dia acesso à informação. O problema está em saber trabalhá-la e dar-lhe essa mais valia.
O SITE DA FEDERAÇÃO
A folha de rosto ou chamemos a imagem de marca de um produto passa muito pela sua apresentação e gostaria de deixar aqui bem expresso aquilo que penso do site da Federação Portuguesa de Ténis:
a) noticias atrasadas sem qualquer "background" de suporte
b) fraco conteúdo noticioso quando se trata dos grandes eventos e de resultados importantes
c) é preciso ter a noção clara da importância dos factos e não tratar os assuntos pela mesma bitola. Basta olhar para o histórico e ver como foram tratadas e analisadas as notícias de Frederico Gil ou de Victoria Azarenka, sendo que esta tem um treinador português, ou até mesmo o acompanhamento das eleições federativas e das próprias assembleias-gerais da FPT
d) o site deve privilegiar o lado institucional, mas precisa de ter critérios bem definidos para os vários escalões, torneios nacionais e internacionais
e) o site deve ter uma atitude dinâmica e abarcar o que é informação, história, ensino, arbitragem, a vida associativa e trabalhar esta temática de forma articulada
f) comparativamente, os outros sites têm trabalhado melhor a informação, chegando esta de forma mais rápida, mais clara e mais precisa
g) recomendo vivamente que a informação seja trabalhada por escalões e que o site possa abarcar em registo os mapas oficiais dos torneios que já decorreram, como forma de isso ser um arquivo de memória viva para dissipar dúvidas e que seja matéria de busca para todos, evitando-se assim dezenas e dezenas de telefonemas
O FUTURO
Como se diz no jornalismo já está tudo inventado. O futuro pode ser risonho para o ténis português e todos nós estaremos aqui para dar o nosso melhor. Acredito que este artigo possa ter servido para aclarar algumas ideias e possibilite a reflexão de todos os agentes numa relação que seja cordial e profissional.
A informação é uma ferramenta indispensável de trabalho que também deve estar ao alcance de todos. Sejam eles jogadores, treinadores, dirigentes, árbitros ou jornalistas. Se estivermos melhor informados e documentados, então já seremos capazes de ver as coisas por um outro prisma e dar valor aquilo que cada um e nós vai construindo.
Autor: Santos, Norberto
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(2 comentários)
2009-04-08 21:35:25 | Joao Aldeia
Norberto Santos, deixa-nos aqui preciosamente, uma radiografia da cobertura da modalidade no pós Nadal-Frederico, na área audovisual e escrita. Contudo ainda não tenho a memória curta. Sou há muitos anos(25) sorvedor de informação noticiosa de tudo o que diz respeito ao ténis nacional e internacional. Não leio(agora) regularmente jornais diários, mas quando os lia, não encontrava notícias diáriamente, se bem que todos os dias se realizassem competições. Foi precisamente a blogosfera que me permitiu em tempo util(também) saciar a minha curiosidade em relação aos resultados e carreiras dos nossos tenistas profissionais e não só. Na sequência deixei de procurar os jornais diários desportivos, embora os consulte sempre que tenho conhecimento de alguma reportagem ali publicada e muito me apraz nessas ocasiões constatar que o ténis poderá chegar ao grande público.Posto isto, e não pretendendo desmentir o Norberto, tenho no entanto uma opinião algo divergente.
- O ténis não tem um AMPLO espaço na comunicação social, teria se fosse semelhante ao do futebol, a situação é compreensível, mas não é de forma nenhuma injusto a ambição de chegar mais longe. Injusto seria pretender retirar o protagonismo ao futebol, apenas queremos partilhá-lo o mais possível. O ténis normalmente só por mérito excepcional, surge como notícia de relevo, situação que se pretende seja alterada. Eu sei que outras modalidades têm também pouca expressão mediática, mas cada um sabe de si e nós puxamos a brasa à nossa sardinha.
- Como não sou leitor do Público e D. Notícias não sei quem são os respectivos colaboradores, mas congratulo-me por existir alguém identificado com a modalidade a quem se possa recorrer e sensibilizar numa maior divulgação da modalidade.
- Registo também com agrado ,a disponibilidade do Expresso e Sol em promover o ténis através dos nossos tenistas de topo.
- Os jornais desportivos poderiam fazer algo mais, mas também reconheço que talvez precisem de um empurrãozito.
- É verdade que o Eurospot e Sport TV (não todas as estações) transmitem horas e horas de ténis, mas também não deixa de ser verdade que nem toda a gente tem acesso a esses canais. Constata-se que as outras estações nacionais raramente transmitem ou noticiam ténis à excepção da RTP 2 (+/- 15h/ano).
- O Jornal do Ténis e principalmente a Protenis, são duas publicações que visam essencialmente o adepto e têm um espaço muito próprio e específico, não sendo este o público alvo a atingir.
- Os sites e blogs no que à satisfação do adepto diz respeito vieram preencher uma grande lacuna que existia na imprensa diária e que continua a existir se compararmos a quantidade de informação que é veiculada num lado e no outro.
A realidade é que as manifestações de descontentamento, quanto à precária divulgação da modalidade, reflectem o sentimento de congregar e partilhar noutra amplitude, o dia a dia de uma modalidade também apaixonante. As coisas não são simplesmente como são, na minha opinião, são como as fazemos e temos a capacidade de as transformar. A satisfação é um passo para a monotonia e impeditiva do progresso.
A VERDADE é que o ténis (tal como outras modalidades) dispõe de pouco espaço, ainda que muitos pensem que tem o espaço suficiente.
Abraço,
2009-04-07 20:56:08 | Flávio de Murtinheira
O Ténis e a Imprensa NacionalÉ como redactor e principal responsável pela divulgação do ténis nacional no site Bolamarela.com que me apraz receber esta crónica sobre um tema que me interessa bastante.
O Ténis internacional tem recebido um bom acolhimento junto dos meios de comunicação social. A imprensa escrita dedica uma ou duas páginas quando um torneio WTA ou ATP assim o exige. A televisiva presenteia-nos, de quando em vez, com uma ou outra informação nos noticiários. Não esqueço, de todo, os canais Eurosport, Sport Tv quanto à cobertura dos ditos torneios, muito menos a RTP 2, canal onde podemos encontrar resumos alargados dos ITFs realizados em território nacional, assim como dos torneios ETA e dos Campeonatos Nacionais.
Mas, quanto à divulgação do ténis nacional, é normal considerar que há sempre algo mais a fazer, que faltou fazer a cobertura deste ou daquele torneio realizado em Portugal, ou que a imprensa ficou muda em relação a um determinado resultado de um português. Mas não será este desejo uma gulodice própria de qualquer amante e defensor da modalidade? Com certeza que um adepto do pingue-pongue, ou da patinagem artística ou até mesmo do basquetebol pensará o mesmo sobre a divulgação do seu desporto. Mas, a verdade, é que gradualmente vamos vendo mais nomes relacionados com o ténis nacional nas folhas dos jornais. Lembro-me de uma reportagem, num jornal de desporto nacional, feita à Maria João Koehler aquando dos Masters FPT CIMA, ou até mesmo uma sobre o Frederico Gil numa revista nacional, a título de exemplo. Não podemos ser injustos ao ponto de pedir um mesmo nível de notoriedade que o futebol, desporto que reúne o maior número de adeptos em Portugal e que mexe mais com patrocínios e prémios monetários.
Quanto ao futuro, penso, contudo, que a imprensa nacional desportiva, deverá dar mais atenção aos campeonatos nacionais pois todos os actuais grandes nomes do ténis nacional se evidenciaram nessas competições. Um jovem que vence e vê os seus feitos reconhecidos terá um, ainda maior, incentivo de voltar a ganhar. E, assim, teremos cada vez mais nomes de que falar num mais próximo ou mais longo futuro. Até lá, cabe a todos os profissionais e voluntários, como nós, de trabalhar em colaboração e oferecer o nosso melhor contributo para fazer chegar, junto de todos os interessados, cada vez mais informações sobre o ténis nacional e internacional.


