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A festa do ténis nacional - A participação portuguesa no Estoril Open 2010

2010-05-12


Ao contrário do que se passou em muitos dos anos anteriores, o Estoril Open foi este ano uma festa do ténis português. Se edições passadas foram terminadas com lamentos e promessas de "para o ano é que é", este ano foi mesmo. Vimos progressos nos nossos jogadores, apercebemo-nos com maior clarividência que temos recursos humanos capazes de levar o ténis nacional a altos voos. Com isto não quero dizer que a partir daqui tudo melhorará de forma drástica, mas sim que estão reunidas todas as condições para uma evolução sustentada e contínua da modalidade no nosso país.

Ao contrário do que se passou em muitos dos anos anteriores, o Estoril Open foi este ano uma festa do ténis português. Se edições passadas foram terminadas com lamentos e promessas de "para o ano é que é", este ano foi mesmo. Vimos progressos nos nossos jogadores, apercebemo-nos com maior clarividência que temos recursos humanos capazes de levar o ténis nacional a altos voos. Com isto não quero dizer que a partir daqui tudo melhorará de forma drástica, mas sim que estão reunidas todas as condições para uma evolução sustentada e contínua da modalidade no nosso país.

Participação masculina:

Frederico Gil
, que em 2009 não conseguiu corresponder às desmedidas expectativas resultantes de um prometedor início de ano, provou nesta edição não ter perdido a sua tão característica capacidade de superação. Gil chegou ao Estoril Open longe do seu auge de forma e fama, mas, uma vez mais contra todas as expectativas, deu-nos uma das maiores, senão a maior, alegria de que há registo no panorama tenístico nacional. E talvez mais do que a sua excelente exibição na final, perdurará durante muito tempo na memória daqueles que tiveram o privilégio de assistir a sua arrepiante vitória diante de Guillermo Garcia Lopez no mítico Centralito.

Rui Machado,
pelo menos a mim, não surpreendeu. Sabia que o tenista algarvio estava a jogar a um nível altíssimo, como tinha comprovado em alguns jogos que fui vendo em Challengers com transmissão na internet. Agora em solo nacional, todos nós pudemos comprová-lo. Machado é, na minha opinião, o mais completo jogador português da actualidade e também um dos que mais pode evoluir a curto prazo. Uns pequenos ajustes - o serviço, apesar de ter melhorado, ainda não é uma arma temível; muitas vezes não bate a bola tão cedo como seria desejável -, a raça do costume, e temos todos os ingredientes para feitos ainda maiores do que os já alcançados.

Leonardo Tavares
atravessa um dos melhores momentos de uma já longa carreira e promete continuar a escalar no ranking. O tenista espinhense é um exemplo de perseverança e teve no Estoril Open uma bem merecida recompensa com a sua primeira vitória num torneio ATP... e uma subestimada presença nas meias-finais de pares ao lado de Pedro Sousa. Tavares e Sousa fizeram duas grandes exibições nas duas primeiras rondas, mesmo tendo competindo apenas uma vez juntos antes do torneio e tiveram como "prémio" jogarem em simultâneo com o encontro do ano "Frederico Gil vs Rui Machado". Mereciam mais, quanto muito por serem os primeiros portugueses em mais de dez anos a alcançar tal feito.

Falando em Pedro Sousa, o jovem tenista português caiu na última ronda do qualy, uma boa prestação para quem não competia desde Março. Sobre Pedro a conversa é a do costume... talento a rodos, resta saber que uso lhe dará. Para já, a boa notícia é que a sua atitude em court tem vindo a melhorar de ano para ano, independentemente da descontracção que será sempre uma imagem de marca do jovem lisboeta. Entre outras coisas, o jogo de rede precisa ser melhorado, mas está tudo lá prontinho a render muito e bom ténis.

Gastão Elias
também esteve em bom plano, mas a esquerda deixou-o demasiadas vezes na mão. O seu encontro da última ronda do qualifying foi estranho, até porque nada fazia antever que sairia de court tão depressa depois de um início de jogo francamente prometedor. Mas tendo em conta os momentos complicados pelos quais tem passado nos últimos tempos, as indicações são claramente positivas.

Entre os rapazes, a maior desilusão talvez tenha sido João Sousa, que chegou ao Estoril Open claramente cotado como um dos portugueses com maior probabilidade de passar o qualifying. Não o fez, mas os seus resultados em 2010 deixam boas perspectivas para os próximos anos. Uma menção honrosa para Frederico Silva e Vasco Mensurado, dois nomes que certamente muito darão que falar num futuro não tão distante.

Participação feminina:

Ao contrário da secção masculina, na ala feminina há menos razões para celebrar...

Neuza Silva
e Frederica Piedade foram ausências notadas. Dois dos nomes maiores do ténis feminino português dos últimos anos foram forçadas a ficar de fora do EO, ambas por lesão. Frederica foi mesmo operada recentemente, apontando-se que possa regressar pela altura do US Open. Esperam-se rápidas melhoras e que possamos contar com elas para o ano no Jamor.

Michelle Larcher de Brito
mostrou alguma evolução em relação à Fed Cup, é certo. Se em Fevereiro saí do Jamor bastante preocupada com o rumo que tomava a carreira da menina prodígio do ténis nacional, agora saio um pouco menos... mas não totalmente. Michelle ganhou a Alizé Cornet e perdeu diante de Sorana Cirstea num encontro que até esteve perfeitamente ao seu alcance. Mas podia ter feito ainda melhor. Falta à tenista portuguesa tomar consciência das limitações do seu jogo e procurar soluções que muito provavelmente nem sempre se enquadrarão com o estilo de jogo em que se sente mais confortável. As pancadas e o talento estão lá... inteligência táctica continua por aí à deriva

Maria João Koehler
protagonizou muito provavelmente a derrota mais difícil de digerir, tanto para a própria Maria João como para quem assistiu e sofreu com ela num encontro em que foi, de muito longe, a melhor jogadora em court e que acabou por perder pelo lado emocional. A jovem treinada por Nuno Marques mostrou algum do ténis mais empolgante da competição feminina e não merecia sair na primeira ronda. Ainda assim, aposto todas as minhas fichas nela e não percebo como os patrocínios teimam em não chegar...

Bem mais apagada esteve Magali de Lattre. A luso-suíça não teve sorte no sorteio e acabou por não mostrar quaisquer argumentos diante de Anabel Medina Garriguez. Patrícia Martins, Ana Claro e Sofia Araújo mostraram bons apontamentos e são nomes a seguir com atenção.

Em suma, um torneio cheio de razões para celebrar e outras tantas para reflectir. O tempo dirá se os nossos jogadores, com o essencial apoio dos respectivos treinadores e equipas técnicas, conseguirão dar seguimento ao actual bom momento do ténis português.


Autor: Talhão, Marta



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