Ténis Juvenil de Competição 2ª parte (Ocidente vs Leste) - Pedro Bívar
2009-03-08
Avançava agora para o 2º
ponto da exposição em que analisava em que medida esta especialização precoce
no ténis, que aparentemente é levada até às últimas consequências nos ex Países
de Leste, os beneficiou em relação ao confronto com os países Ocidentais.
Que dizer do que se vê por esse mundo fora das autênticas violências físicas e psicológicas exercidas sobre atletas jovens, algumas delas protagonizadas por aqueles que em 1º lugar deviam zelar pelo seu bem-estar: os próprios pais e/ou treinadores.
Quem viaja por Torneios Internacionais já deparou com certeza com este fenómeno e sem terem a exclusividade e sem dados estatísticos que o comprove (que conheça) parece que nos ex Países de Leste é onde se leva essa pressão sobre os atletas a um maior extremo, fruto talvez duma filosofia desportiva do passado que privilegiava sobretudo os resultados em detrimento de aspectos mais formativos. No fundo o confronto entre a tal Pedagogia do Desporto com a do Rendimento que falávamos no inicio.
Assiste-se a tudo nestes torneios, e o que é um facto é que os atletas desses países parecem continuar a responder satisfatoriamente debaixo das maiores pressões (e quase violências) quer de pais quer de treinadores.
Uma das diferenças que costumam ser apontadas entre os jogadores de Leste e os do Ocidente e que explicaria a qualidade do ténis competitivo praticado nestes países é justamente a carga de treinos e competições a que os atletas seriam sujeitos.
Falando por exemplo com alguns treinadores russos foi-me admitido pelos próprios que o sistema russo é baseado na quantidade, quer no que se refere ao nº de praticantes, quer na quantidade de horas de treino e não tanto na qualidade do ensino. Talvez seja uma auto-crítica demasiado severa dada a pujança a todos os níveis do Ténis Russo.
Referiram-me também que existe uma mentalidade generalizada (entre todos os envolvidos no processo: pais, treinadores atletas, dirigentes desportivos...) propícia à produção de jogadores profissionais de alto nível e uma necessidade quase imperiosa de vitória que ainda perduraria da era soviética, em que ser nº 1 em qualquer desporto fazia parte tanto das ambições pessoais de qualquer atleta como dos dirigentes políticos. Para estes tratava-se de uma prioridade Nacional numa luta mais vasta pela supremacia do Leste sobre o Ocidente, do Socialismo sobre o Capitalismo. Para os atletas e por vezes respectivas famílias era uma forma de poderem viajar para o exterior e em muitos casos terem acesso a bens de consumo que estariam vedados ao resto da população.
Esta mentalidade ainda perdura hoje em dia, apesar de os russos terem já uma sociedade aberta ao mundo, dado que estão ainda muito condicionados por um passado de 70 anos de um regime opressivo que lhes dava poucas oportunidades de alcançarem padrões de qualidade de vida semelhantes aos do Ocidente e para que isso sucedesse o alto rendimento no desporto era justamente uma das vias.
Foi-me também referido por alguns treinadores russos que se por um lado existe uma boa mentalidade competitiva nos seus jogadores já manifestam muitas reservas sobre a sua educação académica, chegando mesmo a dizer que não estão, nem os pais muito preocupados com esse departamento.
Contam-me que na Rússia hoje em dia um jogador ser top 200 ou mesmo100 não significa grande coisa e o que é considerado sucesso é o top 10. Nos Clubes de Moscovo há crianças que entram nas Escolas de Ténis com 5/6 anos de idade e cujos pais dizem de entrada que querem que eles sejam nº1 do mundo.
O que não pode deixar de levar-nos a indagar quanta parte desta Especialização Precoce e desta quase obsessão em alcançar o sucesso, muitas vezes a qualquer custo, é ou não responsável por alguma predominância do ténis dos países de Leste sobre os do Ocidente?
Efectuei uma pequena pesquisa em 4 Torneios Juvenis Sub 14 dos mais importantes da Europa.
A pesquisa consistia num inquérito com 12 perguntas feitas a alguns dos melhores jogadores que participavam nestes torneios e que são também dos melhores do mundo neste escalão etário.
Os Torneios onde este inquérito foi realizado foram:
BOHEMIA PFANNER CUP - R. Checa, Cat. 1, Maio 2008
15th PSS PIESTANY CUP - Eslováquia, Cat.1, Maio 2008
BNP PARIBAS CUP - França, Cat, 1, Julho 2008
CAMPEONATO DA EUROPA - R. Checa, Julho 2008
As 12 perguntas eram as seguintes:
1. COM QUE IDADE COMEÇASTE A JOGAR TÉNIS?
2 . QUANDO COMEÇASTE COM QUE FREQUÊNCIA JOGAVAS?
3 . NUMA ESCOLA DE TÉNIS OU COM FAMILIAR ?
4 . QUANTOS TREINADORES JÁ TIVESTE?
5 . ACTUALMENTE QUAL A CARGA SEMANAL DE TREINO TÉCNICO E HORAS/DIA?
6 .E TREINO FÍSICO SEMANAL? E HORAS/DIA?
7. FAZES OUTRAS ACTIVIDADES FÍSICAS?
8 . QUANTOS TORNEIOS INTERNACIONAIS FAZES POR ANO?
9 . ESTUDAS? EM QUE REGIME?
10.TENS APOIOS FINANCEIROS?
11. JÁ JOGAS ITF JUNIORES?
12. QUERES SER PROFISSIONAL? DESDE QUANDO?
( As respostas a este questionário não são tecnicamente possiveis de colocar neste site pelo que ficam os gráficos extraídos das mesmas)
Das respostas ao Questionário extraímos os seguintes gráficos:












Se analisarmos as respostas fornecidas pelos atletas chegamos à surpreendente conclusão que a diferença entre os jogadores de Leste e os do Ocidente não reside afinal na grande diferença de carga de treino e competições entre uns e outros, nem na idade em que começaram a jogar ténis. Apesar de no geral haver uma ligeira supremacia nos parâmetros dos atletas do Leste e sobretudo na extraordinária carga horária de treino com que iniciaram a modalidade que é bastante mais elevada.
Também interessa saber se este empenhamento TOTAL se reflecte na qualidade de jogo através dos Rankings Internacionais.
Fiz uma pequena análise dos Rankings Internacionais Juvenis e Seniores (base Agosto 2008) com o intuito de verifica se existe alguma predominância dos jogadores de Leste sobre os do Ocidente.

Nos Rankings Femininos existe sempre predominância do Leste excepto nos Sub 18, Top 10 e Top 100 e WTA Top 100 em que existe equilíbrio. O domínio feminino no Top 10 Sub 14 e WTA é esmagador o que pode ter a haver com o facto de as jogadores serem mais precoces do que os jogadores e pelo menos as melhores começarem mais cedo a jogar o Circuito Profissional (fazendo por ex. poucos Torneios Sob 16) e o seu esmagador domínio nos Sub 14 se estender às categorias profissionais.
Por outro lado nos Masculinos, Ocidente e Leste repartem o domínio no Top 10 dos Sub 14 e Sub 16, havendo nestas categorias ligeiro ascendente do Leste no Top 100. Contudo o domínio do Ocidente é claramente predominante nos Sub 18 Masculinos e no ATP, quer no Top 10 quer no Top 100, indicando provavelmente, e em sentido inverso do explicado para as jogadoras, que a tardia maturação dos jogadores explica que o seu domínio nos Juniores se estenda em grande medida nos Seniores.
Ou seja parece haver um domínio no Ténis Feminino nos Sub 14 e WTA (claramente no Top 10) e no Ténis Masculino esse domínio é visível nos Sub 18 e ATP que também é esmagador no Top 100.
A que se fica a dever este domínio sobretudo no T. Feminino do Ténis de Leste e diga-se sobretudo de atletas da Rússia?
O quadro seguinte mostra um a evolução dos Rankings WTA nos últimos 10 anos (1998 a 2007), em termos de comparação entre jogadoras de Leste e do Ocidente no Top 10 e apenas no Top 20.

Vê-se claramente que o leste estava muito fracamente representado no Top 20 até 2002 e que a partir desse ano começa a crescer gradualmente até inverter a supremacia com o Ocidente a partir de 2006. No Top 10 esse crescimento dá-se a partir de 2004 e em 2008 é bastante favorável para o Leste.
Parece pois confirmar-se nos Rankings e na sua evolução um domínio em crescendo por parte das atletas de Leste, com Russas à cabeça.
Mas se houvesse alguma dúvida sobre a pujança do Ténis de Leste elas também poderiam ser esclarecidas pela análise dos resultados do European Tennis Trophy, by Lindstrom,
EUROPEAN TENNIS TROPHY presented by Lindström

Inaugurado em 1991, este troféu premeia todos os anos a melhor Nação da Tennis Europe numa variedade de categorias. As Categorias em disputa são:
· Ténis Profissional
· Ténis Juvenil
· Veteranos
· Ténis de Cadeira de Rodas
Os pontos são atribuídos de acordo com os resultados alcançados em várias disciplinas durante toda a Época, de forma semelhante à com que os jogadores adquirem pontos no Circuito.
Por exemplo são atribuídos pontos aos jogadores/as Top 100 ATP/WTA dos Rankings de singulares, aos jogadores/as Top 20 ATP/WTA Rankings de Pares, Taça Davis, Fed Cup, Jogos Olímpicos (em anos em que se realizam) e no Ténis Juvenil aos jogadores/as classificadas no Top 25 do Tennis Europe Júnior Tour, aos resultados alcançados nas Winter Cups, Summer Cups, Campeonatos da Europa, nos Tennis Europe Júnior Masters, ITF 18 &Under Rankings etc...
O País com a melhor média de resultados nas diversas categorias (que têm peso relativo) no fim do ano recebem o prémio de vencedor do EUROPEAN TENNIS TROPHY.
Em 2007 a Rússia fez história ao vencer 3 dos 5 European Tennis Trophy by Lindström, pelo 3º ano consecutivo, mantendo a prestigiante Overall Tennis Performance.
A Rússia foi o único País a manter ou a elevar as suas posições nas diversas categorias, ilustrando o crescimento de todos os sectores deste desporto na maior Nação da Tennis Europe
Anunciando os resultados do ano passado o Presidente da Tennis Europe, John James ressaltou que o "... sucesso da Rússia nesta competição em anos recentes pode ser atribuído não só aos fantásticos resultados das suas estrelas de Top, mas ao trabalho esforçado e dedicação de jogadores e equipas de todas as idades e níveis, bem como dos esforços da Federação Russa que em anos recentes investiu em instalações de 1ª classe e forneceu recentes oportunidades de participação em Torneios..."
RESULTADOS EM 2007:

Nota: em 2007 Portugal atingiu a 26ª posição em 49 Países, com o contributo das seguintes modalidades:
· Ténis Profissional = 0 pontos
· Ténis Juvenil = 163 pontos
· Veteranos = 15 pontos
· Ténis de cadeira de rodas = 0
Total: 178 pontos
(a Rússia alcançou o 1º lugar com 5317 pontos)
EUROPEAN TENNIS TROPHY presented by Lindström - Histórico
Year Overall Trophy Professional Trophy Junior Trophy Seniors' Trophy Wheelchair Trophy
1991 Germany Netherlands Czechoslovakia Germany -
1992 Germany Great Britain Germany Germany -
1993 Germany Germany France Germany -
1994 Italy Italy France Germany -
1995 Italy Italy Czech Republic Germany -
1996 Germany Germany France Germany -
1997 France Spain France Germany -
1998 Italy Italy Russia Germany -
1999 Spain Spain Czech Republic Germany -
2000 Spain Spain Russia Germany -
2001 Spain Spain CzechRepublic Germany Netherlands
2002 Spain Spain Spain Germany Netherlands
2003 France France Romania Germany Netherlands
2004 France Spain Russia Germany Netherlands
2005 Russia Russia Russia Germany Netherlands
2006 Russia Russia Russia Germany Netherlands
2007 Russia Russia Russia Germany Netherlands
1991 Germany Netherlands Czechoslovakia Germany -
1992 Germany Great Britain Germany Germany -
1993 Germany Germany France Germany -
1994 Italy Italy France Germany -
1995 Italy Italy Czech Republic Germany -
1996 Germany Germany France Germany -
1997 France Spain France Germany -
1998 Italy Italy Russia Germany -
1999 Spain Spain Czech Republic Germany -
2000 Spain Spain Russia Germany -
2001 Spain Spain CzechRepublic Germany Netherlands
2002 Spain Spain Spain Germany Netherlands
2003 France France Romania Germany Netherlands
2004 France Spain Russia Germany Netherlands
2005 Russia Russia Russia Germany Netherlands
2006 Russia Russia Russia Germany Netherlands
2007 Russia Russia Russia Germany Netherlands
Parece pois estar a verificar-se actualmente uma supremacia de alguns países de Leste e sobretudo no sector feminino. Dentro destes a Rússia assume claro destaque.
Dizer que este destaque se deve a uma Especialização Precoce é talvez arriscado, se bem que pela pequena amostra apresentada os parâmetros dos atletas de Leste indicam mais horas de treino actualmente e sobretudo uma muito maior carga na Iniciação da modalidade.
Interessante seria sabermos o ratio entre os casos de sucesso do Ténis russo e os casos de falhanço e abandono precoce da modalidade por parte de atletas que com as expectativas defraudadas deixam de jogar ténis. Na ausência de dados concretos só podemos especular, mas conhecidos os exemplos que temos no Ocidente e a pressão visível que é exercida sobre os atletas de Leste, podemos adivinhar que é alta.
Só que como foi referido por alguns treinadores russos o seu modelo assenta na quantidade e como tal pode ser que se possam dar ao luxo de "queimar" muitos para produzir alguns Campeões. E já se sabe que ter Campeões é uma receita infalível para se produzir mais Campeões.
No entanto, parece que a haver algum predomínio no ténis de Leste este não pode ser explicado apenas por uma menor ou maior carga de treinos técnicos ou físicos, actualmente ou no Inicio da aprendizagem, ou por uma maior participação em Torneios Internacionais ou mesmo no Regime de Estudos, cujos índices da amostra nos indicam não andarem muito distantes uns dos outros. Parece-nos bastante redutora essa perspectiva
Assim sendo parece-nos existirem outros factores, escondidos, não mensuráveis e que provavelmente são intrínsecos ao Ténis praticado nos Países de Leste e que foram moldados, uma parte por características somáticas próprias outra por processos culturais como sejam Filosofias Desportivas mais orientadas para o Desporto de Rendimento ou por processos políticos (mesmo do passado) que incentivavam à superação em todos os campos como forma de Supremacia Política Geo-Estratégica.
Referimo-nos a aspectos do foro psicológico, como a motivação ou inclusive a forma como alguns destes jogadores resistem à pressão.
São os próprios a reconhecer, que a motivação (se bem que alguns de entre eles reconheçam que as cargas de treino desempenham um papel importante: mais horas, não necessariamente de boa qualidade) é o que essencialmente distingue os jogadores de Leste dos outros.
Jogadores preocupados com o agora, com grande empenhamento, dispostos a dar sempre 110%, com uma fé cega (ou resignação...) no poder didáctico e disciplinar dos seus treinadores, dispostos (ou sem alternativa) a suportar as maiores pressões e por vezes abusos dos seus responsáveis desportivos e arriscando (e igualmente importante, as famílias) TUDO no ténis.
CONCLUSÕES:
Tudo visto parece-nos pois que a Especialização Precoce, apesar de todos os seus detractores veio para ficar. É o mundo de hoje, com a sua Globalização, que no-la impõe. Não podemos fugir a ela, nem nós portugueses, aderentes tardios, em que só hoje timidamente começam alguns jogadores (e importante suas famílias) a acreditar que é possível fazer uma carreira profissional em Portugal.Aliás na própria Ciência do Desporto há vários autores que opinam que ela não só é inevitável como faz parte do quotidiano e como tal deve ser reconhecida para ser bem gerida. Acham eles que não se podem considerar os estudos sobre a Especialização Precoce como uma referência precisa, pois cada indivíduo responde através de atitudes diferente a um mesmo estímulo, não se podendo afirmar com certeza que ela prejudica ou beneficia o indivíduo.
De modo geral, a literatura desportiva sugere que, em média, a idade de doze anos seria a mais adequada para a participação em competições e especialização do treino. Outros autores ressaltam a importância de características físicas e psicológicas individuais, não estabelecendo idades cronológicas específicas e sim a inter-dependência destas características.
Contudo sabemos todos que hoje em dia que a esmagadora maioria dos atletas de alto nível se iniciaram, e podemos dizê-lo, se especializaram no Ténis muito antes dos 12 anos.
O facto de se aceitar a competição como parte integrante do processo de formação, não significa dizer que ela deva ser organizada nos mesmos moldes da competição adulta. Não, estamos de acordo com todas as cautelas impostas pela ITF e Tennis Europe no que concerne a defesa intransigente de jovens atletas e evitar o mais possível excessos de pressão antes de os atletas terem armas para lidar com ela, quer sejam pressões desportivas, familiares ou outras.
Não devemos descartar o facto de crianças consideradas talentosas e com potencial para atingir um futuro estrelato podem sê-lo tão só devido ao maior tempo que têm de prática acumulada da modalidade e a uma maior experiência competitiva e que devido a isso se possa pensar que sejam menos susceptíveis a situações de stress quando comparadas a outras crianças sem a mesma prática e experiências. No entanto, a participação das crianças talentosas em competições de maior importância, pode provocar rupturas neste comportamento devido às consequências imprevisíveis que nelas próprias o fracasso pode gerar.
Deve ser reconhecido que podem advir enormes prejuízos para a criança se a pressão para vencer se constitui numa carga psicológica excessiva. E pode também ser reconhecido que essa pressão psicológica seja mais preocupante do que a pressão das cargas físicas
Pesados os prós e os contras e suportados por uma parte da Ciência do Desporto que nos afirma que a excelência envolve conhecimento e experiência dentro de um determinado domínio, e que portanto é conveniente que a preparação e a Especialização desportiva se iniciem cedo, pode afirmar-se que a alternativa para eventuais falhas neste processo, não possam ser um começo mais tardio desta preparação e especialização, mas sim uma melhor qualidade de todo o processo.
A questão no fundo, e finalmente, é saber como conciliar a produção de bons jogadores evitando os aspectos mais perniciosos da Especialização Precoce, porque parece que ela própria é incontornável.
No fundo falamos desses e doutros aspectos que todos os treinadores, pais e outros intervenientes num processo desportivo que envolva jovens atletas devem ter presentes na sua actividade e posturas diárias.
É na ânsia de se fazer mais, melhor e mais rápido, esquecendo esses aspectos e a quem se dirigem é que a Especialização precoce pode revelar as sua facetas mais negras com sequelas imprevisíveis quer físicas, quer mentais para o atleta.
Aspectos como:
· A parte lúdica do treino sobretudo quanto mais jovem for o atleta: o treino tem de ser também divertido e variado, criando o treinador um clima descontraído, agradável e participativo, valorizando a comunicação verbal da criança, enfatizando o seu desenvolvimento social, intelectual e afectivo;
· O desenvolvimento do espírito desportivo do atleta: fair play, esforço, coragem, ser positivo e permanecer positivo na derrota, etc.;
· A prática se possível, ou pelo menos quando possível, doutros desportos;
· Ter em atenção que o Ténis é um desporto assimétrico e que é necessário um trabalho físico importante, desde cedo, para não surjam desequilíbrios nem lesões;
· O desenvolvimento progressivo da autonomia do atleta;
· O não querer queimar etapas da sua evolução, técnicas e físicas;
· O respeito pelos seus períodos de repouso;
· O ter em mente que é a qualidade e não a quantidade de treino que importa;
· O desenvolvimento do prazer da competição no atleta;
· O não colocar excessiva pressão no atleta, estabelecendo metas demasiado elevadas;
· O encarar em atletas mais jovens a competição como um meio de formação e não como um fim em si mesma.
O que se pretende em última análise é a existência de atletas muito motivados e com uma carga adequada e suficiente de treinos e competições.
Parece-me que uma coisa não existe sem a outra: um atleta não se mantém motivado por muito tempo se não tiver treinos e competições que o estimulem, bem como treinos e competições sem motivação também não perduram levando a uma das piores consequências da Especialização Precoce: o Abandono Precoce.
Autor: Bívar, Pedro
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